Indicadores do consultório: quais números acompanhar todo mês
Alguns números simples mostram se o consultório está crescendo, onde estão os gargalos e se o marketing está dando retorno. Veja quais acompanhar e como calcular cada um.
Muitos consultórios tomam decisões importantes com base em impressões: "a agenda parece mais vazia", "acho que o Instagram está trazendo gente", "as faltas aumentaram". Impressões ajudam, mas podem enganar. Alguns poucos números, acompanhados com regularidade, dão uma visão bem mais clara.
Não é preciso um sistema sofisticado. Uma planilha simples, atualizada uma vez por mês, já permite enxergar tendências e tomar decisões melhores.
Novos contatos e de onde vieram

O primeiro número é a quantidade de pessoas que entraram em contato pela primeira vez no mês, por telefone, WhatsApp, formulário ou redes sociais.
Mais útil do que o total é saber a origem de cada contato. Para isso, basta a recepção perguntar e registrar como a pessoa conheceu a clínica: Google, Instagram, anúncio, indicação de paciente, indicação de outro médico, convênio.
Uma dica é usar categorias fixas na planilha, sempre com os mesmos nomes. Se cada pessoa da equipe escrever de um jeito ("Insta", "Instagram", "rede social"), a contagem no fim do mês fica confusa.
Com essa informação, fica possível responder perguntas como "qual canal traz mais pacientes?" e "vale a pena continuar investindo neste anúncio?".
Taxa de agendamento

Nem todo contato vira consulta. A taxa de agendamento mostra quantos contatos se transformaram em horário marcado:
taxa de agendamento = consultas marcadas ÷ novos contatos × 100
Se a clínica recebeu 100 contatos no mês e marcou 40 consultas, a taxa foi de 40%. Uma taxa baixa pode indicar problemas no atendimento, como demora para responder, falta de horários ou dúvidas não resolvidas. Também pode indicar que os contatos não têm o perfil certo, o que aponta para ajustes no marketing.
Vale registrar os motivos dos contatos que não marcaram: valor, convênio, distância, falta de horário. O artigo sobre secretária e recepção mostra como a equipe pode coletar essas informações.
Taxa de comparecimento e de faltas

Das consultas marcadas, quantas realmente aconteceram? A taxa de faltas é calculada assim:
taxa de faltas = consultas não realizadas sem aviso ÷ consultas marcadas × 100
Por exemplo: se foram marcadas 120 consultas e 12 pacientes faltaram sem avisar, a taxa de faltas foi de 10%. Vale separar as faltas das desmarcações feitas com antecedência, porque um horário desmarcado a tempo ainda pode ser oferecido a outra pessoa.
Acompanhar esse número mês a mês mostra se as medidas para reduzir faltas estão funcionando. O artigo sobre faltas na agenda traz estratégias para isso.
Ocupação da agenda

A ocupação mostra quanto da capacidade do consultório está sendo usada:
ocupação = horários atendidos ÷ horários disponíveis × 100
Como exemplo, um consultório com 160 horários disponíveis no mês que atendeu 120 pacientes teve ocupação de 75%.
Uma ocupação baixa indica espaço para crescer e, muitas vezes, necessidade de investir em captação. Uma ocupação muito alta pode significar que a agenda está no limite, com risco de demora para novos pacientes e de desgaste da equipe. Nesse caso, investir para atrair ainda mais pessoas pode não fazer sentido antes de ampliar a capacidade.
Olhar a ocupação por dia da semana e por período também ajuda a redistribuir horários.
Custo por paciente novo

Para quem investe em marketing, este é um dos números mais importantes:
custo por paciente novo = investimento em marketing no mês ÷ pacientes novos atendidos no mês
Quando a origem de cada paciente é registrada, dá para calcular esse custo por canal: quanto custou, em média, um paciente vindo do Google, outro vindo do Instagram e assim por diante.
Um exemplo com números hipotéticos: um investimento de R$ 3.000 no mês que resultou em 30 pacientes novos atendidos representa um custo médio de R$ 100 por paciente novo. Se R$ 1.800 foram para o Google, que trouxe 18 pacientes, e R$ 1.200 para o Instagram, que trouxe 8, o custo foi de R$ 100 por paciente no Google e de R$ 150 no Instagram. Os outros 4 chegaram por indicação, sem custo direto. Esses valores variam muito conforme a especialidade e a região, por isso o mais útil costuma ser comparar o consultório com ele mesmo ao longo do tempo.
Esse número precisa ser comparado com o valor que um paciente costuma gerar para o consultório ao longo do acompanhamento. O artigo sobre quanto investir em marketing explica como usar essa comparação para definir o orçamento.
Retorno e fidelização

Pacientes que voltam e indicam outras pessoas são sinais de um atendimento que funciona. Alguns números ajudam a acompanhar isso:
- taxa de retorno: quantos pacientes atendidos voltaram para uma nova consulta no período esperado;
- indicações: quantos pacientes novos chegaram por indicação de outros pacientes;
- avaliações: quantas avaliações a clínica recebeu no Google e qual a nota média.
Para a taxa de retorno, o "período esperado" depende da especialidade e do tipo de acompanhamento. O importante é definir um critério e mantê-lo, como contar quantos pacientes atendidos em um mês voltaram nos meses seguintes. As avaliações, além de serem um número, também são uma forma de ouvir os pacientes, como mostra o artigo sobre avaliações no Google.
Como organizar o acompanhamento
Uma rotina simples costuma ser suficiente:
- Escolha um dia fixo no início de cada mês para atualizar os números do mês anterior.
- Registre tudo numa mesma planilha, para comparar os meses lado a lado.
- Olhe as tendências, e não apenas um mês isolado. Variações pontuais são normais.
- Discuta os números com a equipe e com quem cuida do marketing, para decidir ajustes juntos.
Também vale começar pequeno. Três ou quatro indicadores bem registrados costumam ser mais úteis do que uma planilha extensa que ninguém consegue manter. Com a rotina estabelecida, outros números podem ser incluídos aos poucos.
Os números não substituem a experiência de quem está no dia a dia do consultório, mas ajudam a confirmar ou corrigir impressões. Com o tempo, eles se tornam uma das ferramentas mais úteis para a gestão.